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29/09/2005 21:31
Procura-se:
Conhecido pela alcunha de Marcão acusado de tentativa de evangelização de Luccas, o depravado
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28/09/2005 10:20:30
A quanto tempo, hein? Pois é, aconteceram muitas coisas diferentes nesses últimos meses. Mas o que importa é saímos vivos de todas elas. Sobre a galera 304: Luccas ainda a cada dia mais e mais preguiçoso, ele é a própria inutilidade em pessoa. Bila está cada dia comendo mais e mais comida, ô boca nervosa! O Bilinha só sabe falar em defina isto, concetue aquilo,...Eu só sei reclamar deles e o Marcão apenas diz "só lamento!". Ou seja, nada mudou.
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19/06/2005 13:53:05
- Sobre a festa na ECA, esta não foi muito boa, não tinha comida, não tinha bebida e pouca gente.
- O que estou fazendo hoje? Fui a casa do André Farma 02N com o Bruno Z para fazermos os trabalhos de Bromato, Saúde Pública e Micro, mas até agora não produzimos muita coisa. Sabe como é, tem um pouco de falta de vontade para acabar esses trabalhos junto com o fim do semestre que parece não ter fim e mais o cansaço da semana que acabou mais o da semana que ainda vai começar e acaba dando nisso. Esta semana teremos duas provas, uma apresentação e dois trabalhos para entregar, é ou não é muita coisa?
- Acabamos de almoçar uma gororoba (macarrão de miojo com pomodoro + requeijão, frango de padaria, salada de tomate e coca-cola). Até que ficou bom, mas comemos demais e agora não conseguimos pensar em outra coisa se não dormir. O Bruno tá tirando algumas músicas do Led no violão, o André está limpando a bagunça pois a casa é dele e também porque não ajudou a fazer a comida e eu...bem, vcs já sabem.
- O Bruno está falando para eu deixar o link do site que ele fez sobre o Interusp desse ano para quem tiver vontade de visitar, então lá vai: www.interusp2005.cjb.net.
- Quanto aos Canalhas, Bila - o Glutão está em casa comendo, Bilinha - o Imoral está estudando, Lucas - o pervertido está em Pinda, Marcão - o pacato está em Guainazes e Angelo - devasso não tenho a menor idéia.
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17/06/2005 16:55:34
Hoje tem festa junina na ECA. Quem vai? Eu vou! Então até lá!
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14/06/2005 16:15:41
Ontem foi aniversário do Tang (agora ele faz parte do grupo dos 24). Dias atrás Marcão e Bila também fizeram suas comemorações. A diferença é no aniversário do Tang teve bolinho feito pela Paty. Tiramos bastante fotos e logo vamos inaugurar nosso mural "Canalhas do 304" (que ainda não foi pago) onde serão colocados, além das nossas fotos, recados mal criados e frases idiotas.
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19/05/2005 08:42:23
É phoda receber críticas! É preciso saber recebe-las e também faze-las. Quando a crítica é dura, mesmo que justa, ela pode não resolver o problema e algumas vezes até agravá-los. Onde quero chegar? Toquei nesse assunto porque tenho feito e recebido muitas críticas, e percebi que meus "feedback"s estão mais para "fodeback"s, não digo que eles não tenham sua aplicação, mas tem que se saber a hora certa, caso contrário pode dar merda. Conclusão: muitas vezes temos que apertar o botão de phoda-se para algumas críticas que recebemos e pegar mais leve nas que fazemos.
Anteontem, aconteceu a cerimônia de admissão do Bilinha como morador oficial do 304. Ele conseguiu boa pontuação no COSEAS e garantiu a vaga. Seu irmão, o Bila, se sacrificou para que o Bilinha conseguisse a tão sonhada vaga e como agradecimento, o Bila foi despejado de sua própria cama, tendo, a partir daquele dia, que dormir no chão. Conclusão: Há coisas que o dinheiro não compra, para outras o dinheiro não dá.
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16/05/2005 13:20:47
Esse fim de semana foi muito bom, pois finalmente consegui resolver coisas que já estava enrolando faz tempo: comprei minha bike em trocentas mil prestações (aê!viva!) e voltei a treinar. Aproveitei para dar algumas voltas pelo centro da cidade. O Bruno e o André (amigos da Farma 02N) estavam comigo, andamos muito, fomos a lojas de instrumentos musicais e na galeria do rock. Quando estavamos passando pelo viaduto do Chá foi muito cômico pois o Bruno começou a gritar Aê, Aê, Aê, lá de cima, então eu e o André começamos a gritar também. Daí conclui que é muito bom desencanar um pouco daquilo que as outras pessoas pensam, principalmente aquelas que ficam olhando e nos rotulando de malucos. Fim.
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10/05/2005 07:33:59
Eu, o vento
Que sou calmo e violento, sou vendaval e brisa que a mercê da vida, às vezes sou conforto, às vezes incômodo. Às vezes paz, às vezes caos.
Eu, o vento, que sou incolor e frio, sou calor e sangue, que a mercê da vida, às vezes sou dor, às vezes rotina. As vezes sou morte, às vezes vida.
Eu, o vento, que sou órfão e só, sou carinho e carente, que a mercê da vida, às vezes sou colheita, às vezes plantio. Às vezes sou notado, às vezes esquecido.
Eu, o vento, que sou força e anemia, sou opressor e vítima, que a mercê da vida, às vezes sou vento, simplesmente.
Mário Nhardes
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09/05/2005 20:56:19
Há coisas que não consigo entender:
1)Pessoas que têm tudo para serem muito contentes com a sua vida, mas não são. Tenho amigos que possuem todas as condições para não esquentarem com a vida, mas vivem reclamando. Não dão valor a nada que possuem e nem as pessoas que estão a sua volta. Traem a si e aos outros.
2)Outro ponto de discussão, seria o mundo das futilidades em que estou inserido atualmente. No trabalho, por exemplo, percebi que sou o único que vim de uma situação financeira desfavorável. As pessoas são diferentes por não frequentar um restaurante de alto nível ou não gastar muito dinheiro em "roupas de marca"? Quanto se tentar inserir um assunto que sai do fútil você é visto como sendo de outro planeta. Só lamento!
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05/05/2005 13:12:13
Meus Amigos
Meus amigos, por aqui também passou a guerra. Digo também porque a sentença pode ser apliacada a quase todos os lugares do planeta.
Ao lado do sexo e dos sonhos, o homem matar o homem é um dos hábitos mais antigos de nossa singular espécie.
Aqui, na américa do sul, sentimos nas muralhas e nas casas, de maneira inequívoca, a presença desse passado.
Não importam, como continuarão a não importar, as datas e os nomes próprios.
Todos seremos parte do esquecimento, a tênue substância de que é feito o universo.
Jorge Luis Borges
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04/05/2005 13:27:06
Sejamos idiotas! Não sempre, nem em todas as situações, mas as vezes. Ontem, por exemplo, estavamos todos os Canalhas no apartamento, ficamos até as 23:00h falando muitas idiotices e foi muito legal. Trabalhamos e estudamos, e isso nos ocupa o dia inteiro apenas discutindo assuntos sérios e acho que falta um pouco de babaquice em nossos dias. Como é bom dar risada, como é bom gargalhar! Sejamos idiotas!
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
achei que ela tinha pernas estúpidas
achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
achei que os olhos eram muito mais velhos
que o resto do corpo
(os olhos nasceram e ficaram
dez anos esperando que o resto
do corpo nascesse)
Da terceira vez
não vi mais nada
os céus se misturaramcom a terra
e o espírito de Deus
voltou a se mover
sôbe a face das àguas.
Manuel Bandeira
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03/05/2005 15:20:30
A vida
Agora mesmo me lembrei de mim
aos vinte anos.
O rosto apaixonado,
não mal configurado,
eu escolhia
umas até se antecipavam.
E na manhã seguinte
no chuveiro
nascera pra viver e para sempre.
Podia com prazer
voltar ao tempo
no papo com os poetas no café.
Já almoçava com o que estava lendo,
não parava de ler nem para comer.
De noite, o bar, enredos,
as franquezas,
retorno pelas duas da manhã
com muita caipirinha de algum Deus.
Queria amar algo maior na vida,
custei a perceber que era apenas a vida.
A vida.
Estou lembrando de mim aos vinte anos.
Paulo Hecker Filho
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18/04/2005 12:07:47
Esse final de semana assisti "O clã das Adagas Voadoras", filme de excelente fotografia e cenas de lutas extremante forçadas (estilo que muito gosto), a trilha sonora era boa, porém sempre violinos acabou ficando chata e a história deixou a desejar. Na verdade fui ao cinema com a idéia de ver o "Hero" estrelado pelo magnífico Jet Li, mas já havia saído de cartaz no Santa Cruz. É isso.
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
achei que ela tinha pernas estúpidas
achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
achei que os olhos eram muito mais velhos
que o resto do corpo
(os olhos nasceram e ficaram
dez anos esperando que o resto
do corpo nascesse)
Da terceira vez
não vi mais nada
os céus se misturaramcom a terra
e o espírito de Deus
voltou a se mover
sôbe a face das àguas.
Manuel Bandeira
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15/04/2005 19:23:02
Já faz algum tempo que nada escrevo. Trabalho, muito trabalho. Os Canalhas estão muito bem, a mesma bagunça de sempre. Agora temos um subgrupo dentro dos Canalhas do 304, que é o Clube dos Carecas. Este grupo consiste em figuras carimbadas dos desenhos como Hommer Simpson, Charle Brown, Popeye e Sr. Barnes, que são, respectivamente, Bila, Tang, Cabeça e Bilinha. É isso!
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31/03/2005 17:00:27
Certamente tenho novidades para contar: O nosso apartamento está cada vez mais equipado, depois do episódio da "nossa" ex-geladeira conseguimos comprar outra e em boas condições de uso (excelente), o microondas chegou hoje, temos uma nova sanduicheira, nova tampa da bacia de banheiro, agora só falta um novo espelho. Estamos luxuosamente instalados. Confesso que gosto muito de morar junto com esses meus amigos, cada um com a sua particularidade e diferenças de pensamentos mas todos com muito bom senso e isso é suficiente para ficarmos bem. Grandes amigos fica aqui o registro do meu agradecimento à vida por nos juntarmos no lar 304.
Burocracia
Burocratas te advertem que a aurora foi abolida
por tempo indeterminado.
Comunicam-te que o trigo e o vento serão exportados para o arco-íris.
Aconselham-te a esquecer
o corpo ensangüentado dos acontecimentos.
Eles te ensinam que o orvalho não cai sobre aqueles que semeiam dúvidas.
Mandam esvaziar tuas palavras de toda a possível reminiscência.
Eles te fiscalizam do alto dos edifícios, escanchados nalgum dragão lunar.
Eles te dão um ataúde azul
e te ordenam que é tempo de morrer.
Francisco Carvalho
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11/03/2005 11:56:53
O mistério...
O mistério das coisas, o mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece ao menos para mostrar-nos que não é mistério?
Que sabe o rio disso?
Que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei eu disso?
E sempre que eu olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas, eu dou risada.
Eu dou risada como um regato sua fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum.
É mais estranho do que todas as estranhezas, do que os sonhos de todos os poetas e o pensamento de todos os filósofos,
que as coisas sejam o que realmente parecem ser e não haja nada que compreender.
Sim, sim, heis, heis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos,
as coisas não tem significação, tem existência.
Fernando Pessoa
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08/03/2005 15:09:41
Paciência
Foi tão simples e direto que não respondi
Até por que todos já sabiam desde muito
Mesmo na fila do pão logo cedo
Essas mesmas pessoas já sabiam
Ou melhor, tinham certeza da verdade
Aquela mais simples e injusta
Onde seu medo aflora passando por cima de tudo
O quê dizer?
Somente que eles estavam certos?
Sobre o quê eu não sei
Mas, paciência!
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25/02/2005 08:48:17
Segunda-feira Luccas fez aniversário. A festa teve bolo personalizado, nem queiram imaginar o que era aquilo. Bexigas enfeitando o QG do 304, foi realmente horrível. Mas tá valendo!
A droga da semana ficou por conta da despedida de mais um objeto de valor do 304. Dessa vez querem levar "nossa" geladeira. Eu disse "nossa" porque ela não é nossa de verdade. Visto ter ciência que a mesma foi emprestada a muito tempo a um dos ex-moradores e desde então não havia sido reclamada. O fato é que agora estamos desocupando a "pequena" para devolve-la com muita tristeza aos seus verdadeiros proprietários, pois é, como diria James Hetfield: "Sad but True".
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18/02/2005 14:14:28
Verdade
A verdade é tudo aquilo que o homem precisa para viver, não pode ganhar nem comprar dos outros.
Todo homem deve produzí-la sempre no seu íntimo, se não ele se arruína.
Viver sem a verdade é impossível, mas não exagere o culto da verdade.
Não há um único homem no mundo, que não tenha mentido muitas vezes e com razão.
Jorge Luis Borges e Franz Kafka
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17/02/2005 12:20:18
Incompreensível para as massas
Entre o autor e o público, posta-se o intermediário.
E o gosto do intermediário
é bastante intermédio, medíocre.
Medianeiros médios pululam nos meios, onde, galopando, teu pensamento chega.
Um deles considera tudo sonolento:
"sou homem de outra têmpera! perdão",
e repete um só refrão:
"O público não compreenderá".
Camponês, só viu um faz tempo, antes da guerra.
Operários, deu com dois, uma vez, numa ponte, vendo subir a água da enchente.
Mas diz que os conhece como a palma da mão. Que sabe tudo o que querem!
Aqui vai meu aparte: chega de chuchotar bobagens para os pobres. Também eles, podem compreender a arte. Logo, que se eleve a cultura do povo!
Uma só, para todos.
Wladimir Maiakovski
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16/02/2005 12:12:39
Realmente, há histórias muito boas para serem contadas: Uma dessas histórias foi aquela acontecida com o Alex, vulgo Cabeça. Certa feita, após alguns dias depois de admitir um hóspede em seu apartamento (que não é o 304), Alex ao abrir a porta de seu quarto depara-se com citado hóspede completamente pelado e deitado em sua cama. O pior era o cheiro de marola pelo ar. O cara havia fumado muito e na sua viagem para outra dimensão resolveu tirar a roupa e se esparramar sobre a cama do Cabeça. Muito pior ainda foi que o Cabeça não fez nada e indagado pelo hóspede se iria usar o quarto respondeu apenas que não e saiu fora. Final da história: o cara ainda é hóspede do Cabeça que não fez nada e, na verdade, deveria queimar o lençol da cama enrolado no hóspede.
Outra história engraçada foi quando achamos dentro do nosso banheiro um aparente pano de chão cheio de pêlos, com fungos diversos se multiplicando. Percebeu-se depois que o pano de chão se tratava de uma cueca abandonada no banheiro, o próximo passo foi tentar localizar o proprietário daquela plantação de cogumelos. Efetuado as indagações de praxe aos moradores do 304, chegamos ao autor do delito: Marcão. Daí se explica o kit Tony Ramos, ou seja o monte de pêlos na cueca abandonada. Resolução do caso: a cueca foi imediatamente jogada no lixo após exposta para todos tirarem um sarro, os pêlos foram doados a uma entidade que presta assistência a carecas deprimidos (entidade presidida pelo Tang) e o Marcão foi condenado a pagar uma multa no valor de duas pizzas para a galera.
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15/02/2005 15:06:11
Já faz algum tempo, não? Vou contar as novidades, que não são muitas: Estamos todos de volta ao QG, contudo houve uma baixa nos "Canalhas do 304". Isso mesmo! Ontem Luis deixou o seio familiar e mudou-se para o bloco E. Ele tem sono leve e não conseguia dormir os maloqueiros da Geografia bagunçando. Mais para voltar ao número de moradores anteriores, Bila trouxe seu irmão mais novo para morar conosco. Isso mesmo! Agora temos também o Bilinha morando conosco. Bilinha parece também muito tranqüilo, aparentemente não come tanto quanto o irmão, que é um saco sem fundo. Não é tão gordo e ainda não bate na barriga após as refeições e também não urina com a porta do banheiro aberta, mas infelizmente acho que isso é uma questão de tempo. Bilinha vai estudar Filosofia, é o mais novo bixo do apartamento e sofrerá severos castigos e tirações de sarro. Brevemente publicaremos mais novidades.
Agenda
Decididamente não me interessam as vãs soluções,
nem as posições corretas
essas respostas que a gente busca na opinião
informada,
antes de conferir o próprio desejo;
nem os dados que o banco ou a polícia já guardam por ofício,
nem como envelhecemos igual
por força não da idade, mas do hábito.
De todas as perguntas,
só quero reter a centelha.
Desejo saber a que horas do dia encontro no céu
este azul de agora.
Desejo saber a que horas da vida há este sorriso
nos olhos dos filhos.
Desejo saber quanto dura a paixão pela vida.
Ana Cecília Souza Bastos
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17/01/2005 11:35:02
Desbarato
O desbarato mais absurdo não é o dos bens de consumo, mas o da humanidade: milhões e milhões de seres humanos nasceram para ser trucidados pela História, milhões e milhões de pessoas que não possuíam mais do que as suas simples vidas. De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miudezas se tivesse sabido aproveitar. A fraqueza alimenta a força, para que a força esmague a fraqueza.
José Saramago
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14/01/2005 15:11:18
Não saiu nenhuma nota no jornal, contudo ontem foi jogado um dos maiores clássicos do futebol internacional. Não, não jogaram Real Madrid e Barcelona. Na verdade jogaram o grande pequeno time do Canalhas do 304 versus o timeco da Geografia. O referido jogo foi realizado no CEPEUSP, no gramado perto da pista de atletismo, o horário já não lembro, talvez já passasse das 18:00 horas. Pelo lado dos Canalhas do 304 jogaram eu o Marcão (que agora é chamado de craque pelo derrotado time da Farma) e pelo lado do timeco da Geo jogaram Alessandro (vulgo Cabeção) e o Mark (vulgo Seu Boneco). O placar foi sem comentários: 12 para os Canalhas do 304 e apenas 2 para o timeco da Geo. Cabeça e Mark não conseguirão barrar as várias jogadas armadas pela dupla dos Canalhas. Passes de categoria, triangulações perfeitas e a plasticidade dos gols marcados pelos Canalhas provaram que eles são realmente muito habilidosos com a redonda nos pés. Há até uma previsão que Marcão será escolhido pela FIFA o melhor jogador de peladas do mundo em 2006. Hoje ao encontrar os derrotados, estes pediram um jogo de revache. Iremos jogar, porém ainda não há uma data definida. Sem mais.
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12/01/2005 08:54:17
Modéstia
Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.
O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?
Arthur Schopenhauer
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10/01/2005 18:45:30
Cultura
Por si só, a realidade não vale nada. É a percepção que dá sentido à realidade.
Existe uma hierarquia entre as percepções e os sentidos. As mais refinadas e sensíveis figuram no topo.
Refinamento e sensibilidade se originam na única fonte possível: a cultura, cujo instrumento principal é a linguagem.
A avaliação da realidade feita através de um prisma como este a cultura é, portanto, a mais precisa; provavelmente, a mais justa.
As acusações de elitismo que fiquem sem resposta.
A aplicação de princípios democráticos neste campo seria o mesmo que equiparar a sabedoria à idiotice.
Joseph Brodsky
Enviado por: Will
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05/01/2005 10:11:03
Passado uma semana de férias, voltamos! Mais provas e mais provas. O semestre só acabará no final de janeiro. O monstro Bila voltou e começa bem o ano. O Luiz também. O Marcão tranqüilo. O Luccas finalmente parou de reclamar. As coisas realmente estão ótimas por aqui. Mas o melhor aconteceu no último dia de aula, fomos jogar o tradicional futebol de fim de semestre da Farma. Foi sob um pé d'água que jogamos na quadra de areia e depois encaramos dois jogos na quadra de cimento. Foi um dos melhores jogos que já participei, o time dos Canalhas do 304 acabou com o time da Farma, dois jogos na quadra e duas vitórias mostrando um futebol tão bom quanto dos galáticos do Real Madrid.
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
Enviado por: Will
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14/11/2004 12:42:52
=> Depois de ter participado do Campeonato Paulista de Hapkido, lutei em um campeonato organizado por um dos professores da academia: Apenas passei do primeiro oponente, foi dureza tendo em vista que aquele cara não deveria estar na mesma categoria que nós, uma vez que visivelmente ele têm mais de 75 kg. Mas no final, o que importa é ter participado. Agora é pensar no Campeonato Brasileiro em dezembro.
Testamento
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece
Tive uns dinheiros perdios...
Tive amores esquecios
Mas no maior desespero.
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado.
No meu olhar fatigado,
foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
não tive um filho de meu.
Um filho!...
Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino,
para arquiteto meu pai.
Foi se um dia a saúde...
Fizme arquiteto?
Não pude!
Sou poeta menor,perdoai!
Não faço versos de guerra
não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
darei de bom grado a vida
na luta em que não lutei!
Manuel Bandeira
Enviado por: Will
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04/11/2004 19:34:01
=> Caraca! Estou trabalhando demais! Estou dormindo pouco e isso é péssimo.
=> Com relação aos canalhas, todos estão do mesmo jeito: O Bila só come, dorme e estuda. O Luis só come, dorme e estuda. O Luccas só dorme, malha, viaja às custas do contribuinte e estuda. O Marcão só trabalha, estuda e não come nada. Enquanto eu apenas trabalho, trabalho, estudo, estudo, não durmo e não durmo. Etâ dureza! (literalmente).
Das buscas e descobertas
Foi temendo o isolamento que me integrei na multidão.
Isolei-me ainda mais!
Foi receando a miséria que amealhei.
E me tornei miserável!
Foi apavorado ante a morte que me defendi.
E acabei matando!
E pior: foi temendo o medo de ter medo que me tornei medroso.
Eduardo Canabrava Barreiros
Enviado por: Will
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31/10/2004 18:19:16
Texto sobre a loucura
Nós não podemos falar nada sobre nós e a nossa época, sem começarmos por definir a loucura.
Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão, enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?
Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir como se estivessem loucas e acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?
Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.
O que é que os deixou loucos?
As pessoas ficam assim quando não chegam a criar uma relação funcional e prática com a sociedade e com a realidade.
O que eles fazem?
Eles criam uma sociedade que é uma realidade para eles.
Eles ficam loucos para não perder a sua razão.
A sua loucura é a explicação que eles dão para a loucura que eles encontram no mundo.
Edward Bond
Não entendo
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice Lispector
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15/10/2004 21:50:00
Cego
Cego de nascença, aprendeu a ler no escuro. Desde pequeno, os livros lhe eram abertos, os toques lhe fundavam janelas, os sons lhe eram caminhos de pedra.
Um dia, achou um doador de córnea e pensou que os recursos adquiridos poderiam lhe render a visão total.
Não aceitou ser operado por conta do governo, nem enxergar no claro. Ficou com medo de se olhar no espelho das pessoas e ter medo da escuridão que havia nelas.
Silas Corrêa Leite
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08/10/2004 14:21:21
=> Hoje foi minha despedida da Farmusp. Agradeço a todos os meus ex-companheiros de trabalho pela força. Retornarei somente no meu estágio obrigatório. Valeu a todos.
=> Nada.
Risco
Do que adianta você ter esta alma colada aos ossos dessa carne errada?
Sem o risco, a vida não vale a pena
(Goethe)
Verdade
A verdade é tudo aquilo que o homem precisa para viver, não pode ganhar nem comprar dos outros.
Todo homem deve produzí-la sempre no seu íntimo, se não ele se arruína.
Viver sem a verdade é impossível, mas não exagere o culto da verdade.
Não há um único homem no mundo, que não tenha mentido muitas vezes e com razão.
(Jorge Luis Borges e Franz Kafka)
Enviado por: Will
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30/09/2004 18:34:28
Bila em estado de reflexão:
A Mulher
O mistério da mulher está em cada afirmação ou abstinência, na malícia das plausíveis revelações, no suborno das silenciosas palavras.
Henriqueta Lisboa
Enviado por: Will
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29/09/2004 18:30:46
Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.
Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.
[...]
Fernando Pessoa, 18-3-1935
Enviado por: Will
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28/09/2004 15:48:25
Vovó amarelou! Vovó amarelou!
Pouco me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.
Alberto Caeiro, 24-10-1917
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27/09/2004 19:20:32
DE ONDE VEM A CALMA (Marcelo Camelo)
De onde vem a calma daquele cara ?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente
ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito
que esse rapaz consegue fingir?
Olha esse sorriso tão indeciso
Esta se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim.
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24/09/2004 14:31:39
As últimas dos Canalhas:
- A pérola da semana foi: "Já pensou, vc se ferra para entrar e estudar engenharia e vem seu filho depois dizer que vai estudar história?". (Luis)
- O mundo está de cabeça para baixo: Tang e Bila estão cada vez mais revoltados. Cansados de bancarem os bixos, esses dois começaram a responder em tom elevado de voz. É necessário repreender essas atitudes com muita energia, o Matias já foi contratado para conter a rebelião caso seja necessário e joga-los pelados para fora do apartamento.
- Querida Vovó (velha mócreia desdentada). O seu netinho gosta muito de vc (velha louca). Um beijo querida Vovó (morraaa!!)
- Vovó, meu grande caro colega Nicolau pergunta frenqüentemente da senhora. Ele disse ter achado lindos os seus cabelinhos brancos e que vc, apesar da idade, ainda dá um caldinho. É isso mesmo! Ele está interessadíssimo na senhora (no bom e no mau sentido, é claro). Esse é somente mais um serviço desse blog, é juntar almas gêmeas, metades de uma mesma laranja, sei lá mais o quê. E aí vó? Vai encarar?
- Que falta de ética heim Sr. Slot? O Slot para quem não conhece é o nosso amigo Big Head. O cidadão está dando aulas no cursinho do governo e já está saindo uma de suas alunas. Só lamento! Vote 56 pela moral em nossa escolas, meu nome é Geléia!!!
- Por falar no Bila, nós fomos ver o Rock Horror Show no teatro da ECA (ele pela segunda vez) e o menino quase não durmiu depois da peça, pois uma das mulheres em cena foi até a platéia e ficou alisando a sua cabecinha. O menino ficou sem reação e quando chegou em casa tomou um banho muito demorado! Estranho, não?
=>Frase mais engraçada da semana: "Cara, tô muito cansado por quê trabalhei o dia inteiro" (Luccas). Que frase, não? E percebam que primeiro de abril já passou faz tempo.
Reinvenção
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Cecília Meireles
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20/09/2004 19:45:02
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
Manuel Bandeira
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15/09/2004 21:14:44
Parábula de Buda
Já me fizeram muitas vezes esta pergunta: "você quer destruir tudo, mas o que surgirá depois?" respondi com um trecho de um poema de Brecht:
"A parábola do Buda sobre a casa em chamas".
Buda disse: "uma casa estava pegando fogo. Havia gente lá dentro. Alguém gritou-me pela janela: como está o tempo aí fora? chovendo? ventando?
"Afastei-me sem responder"
Margarida Von Brentano
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08/09/2004 21:50:17
Demônio
E se um dia um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse:
" Esta vida, assim como a vives e sempre viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes, não haverá nela nada de novo!
Cada dor, cada pensamento, tudo que há de pequeno em tua vida há de retornar. Tudo, na mesma ordem e sequência. E, do mesmo modo, esse instante e eu próprio: o demônio. O eterno relógio da existência reiniciará outra vez a contagem do seu tempo, e do tempo das tuas desgraças.
Não te lançarias ao chão rangendo os dentes e amaldiçoando o demônio?
Não, não. Responderias medrosamente que nunca te disseram algo mais divino. Diga, nunca te disseram algo mais divino?
Mentirias que queres para sempre a tua própria desgraça? Vê bem, se disseres que sim, estarás apenas piorando a eternidade.
Nietzsche
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03/09/2004 21:54:25
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos
Enviado por: Will
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30/08/2004 16:53:40
Em mais uma apresentação para milhões de fãs que compareceram ao Canalhas Music Hall, o cantor Will Presley levou a plateia a loucura (de tanta raiva). Veja foto:
Depois do show e da coletiva para a imprensa, Will Presley, gentilmente, atendeu o apelo de um grupo de fãs idiotas que não paravam de encher o seu saco para uma tirar foto:
Enviado por: Will
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27/08/2004 15:01:30
A galera do 304 (da esquerda para a direita): Will, Mato-Grosso, Frota, Bila e Tang.
=>Liberdade!
Liberdade!
Entre tantos que te trazem na boca sem te sentirem no coração, eu posso dar testemunho da tua identidade, definir a expressão do teu nome,
vingar a pureza do teu evangelho, porque no fundo da minha consciência eu te vejo como estrela no fundo do obscuro espaço.
Nunca te desconheci, nem te trairei nunca;porque a natureza impregnou dos teus elementos a substância do meu ser.
Rui Barbosa
=>Está fotografia do Bila é mais recente que temos:
=>Pobre Bila, após ter explodido meu microondas, ele foi informando que o concerto do aparelho ficou orçado em R$ 310,00. E agora? Tendo em vista que ele está completamente sem grana, este guri chegou ao fundo do poço: primeiramente, tentou tomar a vaga da Dna. Sueli na limpeza quinzenal do QG do Canalhas do 304, mas não obteve êxito; agora, o mesmo decidiu vender seu corpo na avenida do Jóquei (s/n) com a finalidade de pagar suas dívidas. E agora? E se nenhum eventual cliente se interessar? Daí ficarei sem um novo forno de microondas. Por esse motivo estamos lançando mais uma campanha, pois estou certo que ninguém vai querer ver o Bila se prostituindo, ou vai? O título da campanha já existe: "Bila Esperança" (ter um amigo, quem é que não tem um amigo...). Você pode contribuir com qualquer quantia enviando via sedex ou pessoalmente no 304QG.
=>Foram finalizados esta semana diversos estudos desenvolvidos em conjunto com o Dr. Marcov da Universidade de Guaianases nos EUA sobre "Postura Anatômica para Estudos Geográficos". Trata-se do resultado de meses observando o trio Los Geografos (Tang, Big Head e Frota) efetuando a leitura de diversos textos para suas provas, a partir daí foi possível concluir que a melhor postura para leitura seria aquela onde o indivíduo encontra-se deitado de "ladinho" com a mão apoiando a cabeça a fim de pegar mais rápido no sono, ou seja, com essa revolucionária descoberta será possível tratar aqueles pacientes que tanto reclamam de insônia.
=>Matéria de Poesia
Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia.
O homem que possui um pente e uma árvore serve para a poesia. Terreno de 10 por 20, sujo de mato, e os detritos que nele gorjeiam, como, por exemplo, latas, servem para poesia.
As coisas que levam a nada têm grande importância. Cada coisa ordinária é um elemento de estima; cada coisa sem préstimo tem seu lugar na poesia.
As coisas que não pretendem, como, por exemplo, pedras que cheiram água, homens que atravessam períodos de árvore, se prestam para poesia. Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma e que você não pode vender no mercado, como, por exemplo, o coração verde dos pássaros, serve para poesia.
Os loucos de água e estandarte servem demais para a poesia.
O traste é ótimo, o pobre-diabo é colosso. As pessoas desimportantes dão para a poesia.
Qualquer pessoa ou escada, o que é bom para o lixo é bom para a poesia. As coisas jogadas fora têm grande importância. Um homem jogado fora também é objeto de poesia. Aliás, saber qual o período médio que um homem jogado fora pode permanecer na terra sem nascerem em sua boca as raízes da escória também dá poesia!
Tudo aquilo que a nossa civilização rejeita, pisa e mija em cima, serve para poesia.
Manoel de Barros
Enviado por: Will
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20/08/2004 10:16:08
=> É preciso paciência para saber o momento certo. Essa parece mais uma daquelas frases de livros de auto-ajuda que eu não tenho nenhum interesse, porém é uma grande verdade visto que ações impulsivas podem trazer sérios problemas, não só para o agente mas também para as pessoas que convivem com o mesmo. Digo isto pois já estive no limite de diversas situações em que, felizmente, o meu lado racional prevaleceu sobre o irracional. Entretanto, é difícil manter a calma em todas as situações de tensão. Espanta-me ouvir que pessoas teoricamente inteligentes critiquem ato pacifistas. Esse meu espanto se estende desde pessoas próximas até lideres mundiais. Paciência, essa é ação que sempre tento colocar em prática. Acredito no efeito cíclico de nossas ações de agora.
=>Adianto que em dezembro irá ocorrer o Campeonato Brasileiro de Hapkido. Dessa vez o evento acontecerá em São Paulo e será realizado no Ginásio do Ibirapuera.
Enviado por: Will
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19/08/2004 13:35:17
>Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Enviado por: Will
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18/08/2004 17:17:03
=>Alguns dias atrás, eu e o "Biladen" fomos ao Teatro do Fiesp com o intuito de assistir uma peça dirigida pelo Antônio Abujamra. Como de praxe, enfrentamos uma puta fila onde, para distração de todos, alguns espetáculos de dança aconteciam ao ar livre (muito bacana: o corpo de dançarinos que se apresentava também interagia com o público). Já no inteiror do teatro, o espetáculo que começou estava um tanto estranho pelo que eu havia lido no panfleto, logo descobri que ao longo do mês de agosto e setembro estariam ocorrendo diversas apresentações de dança e a peça do Abujamra só voltaria em outubro. Apesar de não ter assistido a peça pretendida, valeu a pena ter visto a apresentação chamada "Empresta-me teus olhos", pois é simplesmente indescritível o que eles fazem no palco. É isso.
=>Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
=>Mano Marcão e Mano Robson da Farma:

Enviado por: Will
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17/08/2004 16:18:08
Notícias:
=> O Bila quer nos matar! Cansado das torturas diárias, o Bila quer nos matar: Semana passada esse cidadão, desprovido de inteligência, resolveu fazer um "ovinho quente", daqueles que as mães preparavam quando nos íamos para a escolhinha (pelo menos a minha fazia e se eu quiser ainda faz), acontece que o Bila colocou o bendito ovo, ainda em sua casca, no interior do microondas, em potência máxima por quatro minutos, quando no segundo minuto: BOOOM, um puta estouro (o Luis tomou um baita susto). Resultado: Foi ovo para todo o canto, arrebentou a porta do microondas que não está funcionando. O pior foi quando eu cheguei e o Bila, quase urinando nas calças, disse o ocorrido (ele pensou que eu iria ficar super nervoso e consequentemente iria espanca-lo até a morte, o que naturalmente não aconteceu). Agora seu novo apelido é "Biladen", o destruidor.
O Mistério das Coisas
O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece ao menos para mostrar-nos que não é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas, rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum, é mais estranho do que todas as estranhezas, do que os sonhos de todos os poetas e os pensamentos de todos os filósofos, que as coisas sejam o que realmente parecem ser e não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As coisas não têm significação, têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas!
Fernando Pessoa - Alberto Caieiro
Enviado por: Will
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10/08/2004 17:20:32
Abismo
Quero absorver intensamente toda a tristeza do mundo.
As esperanças não alcançadas, os filhos que não nasceram, o pranto de mães desconsoladas.
Quero sentir profundamente toda a dor. A dor de não ter amor, não ter paz, não ter futuro.
Pelo trabalho rotineiro de cada dia, a comida sem graça e fria, a desigualdade, a injustiça, o olhar distante, toda a dor da infelicidade.
Quero aguardar a catástrofe silenciosamente, com o meu cansaço estafante e descomedido, pelo excesso das palavras, das mentiras, das ilusões, dos pesadelos, tantos.
O horizonte se distanciando... longe... longe.
Quero chorar muito... quero chorar muito, sem nenhum constrangimento, sem parar, sem parar.
Quero ser tragado pela realidade e me esconder na sombra da minha insignificância, para que num momento distante - se houver - eu possa despertar para um mundo
agradável e melhor.
Nilson Oliveira
Enviado por: Will
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enviada por Will
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